O meu adeus não o convenceu, eu menti, disse que não o amava, e nem o queria mais ao meu lado.
Ele chorou.
Não sei se era a culpa que carregava nas costas ou o amor que tinha no coração.
Me beijou e obrigou-me a amar-lhe pela última vez, decidimos assim.
Implorou-me, gritou que me amava, chorou enquanto seu corpo possuía o meu.
Os soluços não deixavam as palavras saírem corretamente, engasgávamos com os beijos, malditos beijos que me acorrentavam.
Eu iria embora dali, chorar sozinha, estava decidida.
Seu sofrimento assemelhava-se ao meu, as lágrimas misturavam-se, deixando tudo aquilo ainda mais confuso, ainda mais difícil.
- Eu não posso e nem devo fazer isso, sai da minha vida, por favor .
- Não.
Sussurrava em meu ouvido um eu te amo que eu jamais ouvira antes, não daquela forma, nunca havia o visto daquele jeito, tão frágil, entregando-se para mim com tamanha intensidade, tamanho amor.
Despimos nossas almas aquela madrugada, adormeci em seus braços, outra vez. Se realmente foi a última noite eu não sei , porque infelizmente -ou felizmente- uma parte de mim ainda o quer, e eu não sei o quão forte é esse lado.





